Artigo incluído na revista Volume I :: No.1 :: Dezembro 2005

Importa-se De Repetir...?

Intervir contra o assédio no trabalho: cuidar e reprimir não basta

Chantal Leclerc1
(1) Professeure, Université Laval
Centre de Recherche Interuniversitaire sur l’Éducation et la Vie au Travail Faculté des Sciences de l’Éducation, bureau 666
Université Laval, Québec (Québec) G1K 7P4
chantal.leclerc@fse.ulaval.ca
Resumo

Quais são as vias de intervenção privilegiadas e a promover em matéria de luta contra o assédio psicológico no trabalho? A tendência actual das empresas é dotar-se de políticas e prever o recurso a serviços de mediação ou a procedimentos de inquérito. O artigo analisa primeiro as vantagens e limites destas formas de intervenção de natureza fortemente psicológica ou jurídica. A apresentação dos elementos organizacionais presentes nas várias situações de assédio permite seguidamente compreender que uma luta eficaz contra o assédio não pode reduzir-se a intervenções individuais feitas à margem dos lugares concretos do trabalho. As intervenções a promover devem contribuir para restabelecer as relações de solidariedade fragilizadas por formas de organização do trabalho e gestão que colocam as pessoas em situação constante de insegurança, de sobrecarga e de competição. Devem permitir a palavra e a acção colectivas.

Palavras-chave assédio psicológico no trabalho, saúde mental no trabalho, sobrecarga, precariedade, acção sindical.